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·08 de setembro de 2026

Vasco tem três competições e um problema que nenhuma taça resolve

Imagem do artigo:Vasco tem três competições e um problema que nenhuma taça resolve

O Vasco chegou a um daqueles momentos em que qualquer escolha parece errada. Está em três competições, mas apenas uma delas pode produzir um estrago difícil de reparar: o Campeonato Brasileiro.

Nas copas, a recompensa é enorme. O clube está na semifinal da Copa do Brasil pela terceira vez consecutiva e enfrenta o Palmeiras. O campeão pode receber quase R$ 100 milhões. Na Copa Sul-Americana, encara o Santa Fe, da Colômbia, nas quartas de final, com uma premiação próxima de R$ 70 milhões para quem levantar a taça.


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É a oportunidade que qualquer clube gostaria de ter. Para o Vasco, porém, existe uma vírgula bastante incômoda: está na zona de rebaixamento.

Restam 13 rodadas e outros seis clubes participam da mesma briga. Cair para a Série B não significaria apenas uma derrota esportiva. Seria um golpe em um clube que tenta justamente reorganizar as contas, busca um empréstimo emergencial e trabalha para encaminhar a venda da SAF (Sociedade Anônima do Futebol).

É aí que a situação deixa de ser apenas uma questão de calendário.

O Vasco precisa avançar nas copas. Mas precisa, antes de tudo, permanecer na Série A do Brasileirão.

Porque nenhuma taça resolve sozinha uma crise estrutural. Pode aliviar. Pode abrir portas. Pode devolver confiança. Mas não substitui planejamento.

O Vasco não pode transformar ambição em armadilha

Há uma ironia adicional quando se olha para o Flamengo. O rival, multicampeão e muito mais estruturado, disputa apenas duas competições. Lidera o Brasileirão e está nas quartas de final da Copa Libertadores da América.

O Vasco precisa fazer muito mais com muito menos.

Ainda assim, Pedro Emanuel conseguiu encontrar alguma ordem em um elenco limitado, depois de trocas de treinador e uma temporada marcada pela irregularidade. Puma Rodríguez, Marino HInestroza e Thiago Mendes cresceram. Facundo Colidio encaixou no time e passou a oferecer uma solução que parecia faltar.

O problema é que bom trabalho também precisa sobreviver ao calendário.

Três competições significam viagens, jogos sucessivos, recuperação curta e desgaste emocional. Para um elenco sem muitas opções, basta uma sequência ruim para transformar a ambição em problema.

Abrir mão de uma das copas, portanto, seria uma decisão dolorosa. A Copa do Brasil coloca o Palmeiras no caminho. O adversário venceu os dois confrontos entre eles nesta temporada, também disputa a Libertadores e briga pelo título brasileiro. Passar significaria chegar à final e garantir, no mínimo, uma vaga nas eliminatórias da Libertadores.

A Sul-Americana oferece outro caminho, mas o Santa Fe não está ali por acaso.

Não existe escolha simples. Existe prioridade.

E ela precisa ser o Brasileirão.

O Vasco pode sobreviver às eliminações. O que não pode é sobreviver ao próprio rebaixamento.

Depois de tantos anos de turbulência, a torcida merece mais do que outra aventura de curto prazo.

Precisa de um clube que consiga chegar ao fim da temporada ainda de pé.

E talvez esse seja o único título que, neste momento, realmente importa.

(*) Marco Marcondes é jornalista, radialista, ator, diretor de cinema, teatro e televisão, promotor de eventos e CEO da Agência RTI Esporte

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