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·3 February 2026
O curioso caso de Aaron Anselmino que acende um alerta sobre o novo modelo de gestão no futebol

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No chamado "futebol moderno" de hoje, das SAF's e grupos multimilionários que empilham clubes pelo globo como se quanto mais, melhor, um caso nos faz refletir um pouco contra a nova ordem. Sem teorias da conspiração, e sem precisar ir nos esgotos dos bastidores do jogo. Vamos apenas falar da história de Aron Anselmino, um argentino de 20 anos.
Vamos usar um termo aqui que soa forte, mas é completamente acurado para explicar essa situação (e tantas outras): pertencer. Aron Anselmino "pertence" ao Chelsea, ou melhor, ao BlueCo, fundado em 2022 e que tem o controle das ações dos Blues e também do Strasbourg, da França.
O modus operandi do grupo é muito simples: apostar em diversas promessas do futebol mundial bem no começo da carreira dos atletas, quando o valor de mercado ainda é menor. Ou seja: o grupo investe em potencial para, com o tempo, lucrar com o "produto" pronto. A tal história da matéria-prima que vira um produto manufaturado que moldou a relação das civilizações ao longo dos anos.
Como o elenco do Chelsea só consegue receber um grupo limitado de atletas (apesar de terem aumentado o vestiário do clube - contém ironia), a estratégia passa a ser contratar as jovens promessas e logo as emprestar - seja para clubes do próprio grupo, o Strasbourg, no caso, ou para outras equipes.
A partir daí, o departamento de análise de desempenho dos Blues monitora os atletas e os separa em categorias, segmentando quem ainda precisa se desenvolver com novo empréstimo, quem pode ajudar o time e ser chamado de volta, e quem provavelmente não vai atingir o potencial esperado e pode ser negociado definitivamente.
Com essa contextualização (importante) feita, voltemos para Aron Anselmino. Em agosto de 2024, o Chelsea comprou os direitos econômicos do zagueiro junto ao Boca Juniors por 18 milhões de euros, maior venda da história Xeneize. Pouco mais de duas semanas depois de assinar contrato, Anselmino foi emprestado ao Borussia Dortmund, já que não teria espaço em um primeiro momento em Stamford Bridge.
O jovem defensor argentino foi ganhando espaço aos poucos no Signal Iduna Park. Fez boa partida em novembro contra o Villarreal, com direito a assistência na Champions, e depois marcou o primeiro gol contra o Bayer Leverkusen, duas vitórias importantes dos Aurinegros na temporada.
Fechou o ano com 9 partidas, 7 como titular, 6 delas do final de outubro para cá. Depois de sofrer uma lesão leve em dezembro, quando começava a retomar a forma, foi chamado de volta pelos Blues, que sofriam com desfalques na defesa. O time londrino perdeu a concorrência do Liverpool pelo também jovem defensor Jeremy Jacquet e acabou chamando de volta Anselmino, que chorou na despedida na Alemanha.
Poucos dias depois de desembarcar em Londres, foi comunicado que o clube preferiu trazer de volta Mamadou Sarr e teve de fazer as malas de novo para jogar no Strasbourg (aonde curiosamente - só que não - Sarr jogava). Anselmino não jogará mais a Liga dos Campeões nesta temporada, e muito menos vestirá a camisa dos Blues.
O quanto esse modelo de gestão interclubista favorece ou atrapalha a carreira dos jogadores? O quanto é possível você focar nos resultados esportivos tendo de pensar em uma integração com equipes de diversas ligas (o BlueCo é até modesto neste sentido, tendo apenas dois clubes)? É possível dar a mesma atenção a todos os clubes do grupo (pergunte a John Textor, talvez)? São perguntas que ficam. E que talvez ninguém queira responder. Afinal, é muito mais fácil seguir o efeito manada.








































