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·21 Juni 2026

Villas-Boas e o rumor Lewandowski: «Foi um sonho fabricado pelos adeptos»

Gambar artikel:Villas-Boas e o rumor Lewandowski: «Foi um sonho fabricado pelos adeptos»

André Villas-Boas, presidente do FC Porto, concedeu uma entrevista a O Jogo/TSF/JN onde abordou a atualidade portista, destacando a nova abordagem portista ao mercado e rejeitando a entrada de capital estrangeiro na SAD do clube.

Estratégia para blindar jovens mudou, por causa de Cardoso Varela: «No caso do Cardoso Varela, o FC Porto fez o barulho necessário para que um caso como esse não volte a acontecer. O Cardoso Varela não está sentado aqui ao meu lado, mas estou seguramente convicto que provavelmente diria que cometeu um erro. Não por si, mas pela ganância de outros que o levaram a sair do FC Porto. A ganância de outros, provavelmente vendida à sua família, uma família pobre, de grandes dificuldades económicas, que provavelmente se deixou ir por palavras e por um ou outro sonho. Não quero dizer que essas mudanças às vezes não funcionem. Na realidade do Cardoso Varela é que não funcionou, o jogador está perdido na Croácia, no Dínamo de Zagreb B, à espera de um melhor futuro e com certeza lamenta que tenha dado este passo, principalmente quando o FC Porto defendeu de forma muito clara o seu futuro, quando o Vítor Bruno lhe disse que seria englobado na pré-época da equipa principal, tal como o Rodrigo Mora. Custa ver que um talento como ele se tenha perdido. Depois há outra parte que está relacionada com o assédio a jovens, que é uma competição. Isto está relacionado com o crescimento exponencial dos clubes da Premier League, que neste momento têm redes de scouting absolutamente infalíveis. Mas não só as redes de scouting, como também a análise de dados, as ferramentas de dados, as ferramentas de filtros desses dados, que lhes permite chegar ao talento muito mais rápido do que os clubes portugueses, que normalmente eram utilizados como pontes para chegarem a esses clubes, e que nos obrigam também a defender os nossos próprios ativos com melhores condições, melhores ofertas, melhor venda do que é um projeto formativo futuro.»


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Ao contrário também acontece: «Mas com acordo total de clube. O FC Porto pagou caro por um miúdo de 16 anos, pelo potencial de jogador futuro, que vem para uma escola melhor, que nós acreditamos que é esta, quando a competição é maior, para se desenvolver, mas que nunca foi feita à revelia do Fredrikstad FK, neste caso. Portanto, o FC Porto não deixa de pagar cerca de 1,8 milhões por um diamante por lapidar, basicamente.»

Trabalho a continuar no futuro e perspetiva dos sócios: «Sim, no fundo é uma lógica muito simples. O FC Porto sempre se afirmou, não só na formação, mas também e sobretudo, no seu scouting ao longo dos anos. Foi capaz de convencer os melhores jogadores do mundo, que depois se afirmaram mais tarde, a passarem pela escola FC Porto. O FC Porto distinguiu-se por conseguir atrair o melhor talento do mundo, como James Rodriguez, Falcao, Hulk. Juntando depois a isso a escola formativa do clube, como jogadores como Ricardo Carvalho, Vitinha, Rúben Neves e Diogo Costa, entre outros. Na linha de scouting, o FC Porto tem que se antecipar cada vez mais aos outros e ir buscar aos 16 e aos 17 anos, enquanto eles custam mais ou menos entre os 2 e os 10 milhões de euros. Porque a partir daí custam entre os 10 e os 20, os 20 e os 30, e os 30 e os 40.»

Mercado atual: «O FC Porto vive entre duas verdades: o investimento de 100 milhões de euros no mercado de transferências tornou-o campeão, mas a realidade financeira obriga a prudência. Há vários alvos identificados, mas o mercado deve mexer-se mais tarde.»

Gastou 100 milhões no ano passado; o que pretende neste: «Foi uma revolução necessária, uma injeção clara de talento e uma aposta que o FC Porto precisava de ter. O nosso primeiro desafio, como vocês bem sabem, foi a realidade económica, época 24/25, que nos permitiu um encaixe financeiro também considerável, mas que nos obrigava de novo a refazer a equipa para a época de 25/26 e reinvestir no talento da equipa. Portanto, foi um mercado histórico, sem paralelo na história do clube, mas absolutamente necessário para quem queria ser candidato ao título. Acho que se tivéssemos chegado ao fim da época 25/26 e o FC Porto não tivesse sido campeão nacional, é porque não tinha feito bem o seu trabalho ao nível de renovação e investimento no plantel. Portanto, uma revolução profunda, mas absolutamente necessária, que nos dá agora bases para atacar o mercado de outra forma. É importante ter consciência de que a realidade económica do FC Porto não está totalmente resolvida. Claro que a sua dívida foi prolongada a longo prazo, digamos assim, mas temos responsabilidades financeiras. Temos sempre uma responsabilidade financeira enorme da qual não podemos escapar. Neste momento, trabalhamos a partir de outra base, uma base que não tínhamos no ano passado. Uma base boa, em que queremos manter os melhores talentos na equipa principal e reforçá-la em pontos estratégicos identificados pelo treinador. Não irá ser um mercado de 100 milhões, claro está, porque estas bases nos permitem olhar para o mercado de uma forma diferente e também muito mais ponderada.»

Permanência das figuras e sujeição ao mercado: «Sim, sempre sujeito aos interesses do mercado, que neste momento se comporta de uma forma muito específica, também pelo acontecimento do Mundial. O FC Porto, para ser competitivo, tem de tentar manter a sua base. É claro que os clubes portugueses têm necessidade imediata de tesouraria e de caixa, porque têm de fazer face aos seus compromissos e ter fluxos de caixa suficientes que façam face a esses compromissos, desde logo os salários e pagamentos a clubes, pagamentos também de transferências anteriormente feitas. E é por isso que somos sempre obrigados a mexer o mercado. Nesta fase não temos nada em concreto pelos nossos jogadores, o que nos dá uma base boa e proteção, mas temos de ter consciência de que é preciso criar esses fluxos de caixa para nos mantermos sustentáveis durante a época, do ponto de vista das nossas obrigações.»

Alvos referenciados: «Sim, muitos alvos, muitos deles referenciados. Acho que sobretudo o mercado desta fase, o mercado de junho e julho, é o mercado mais caro e é onde a maior parte dos clubes se protege relativamente aos seus ativos e pede quantias mais avultadas. Este é um mercado que normalmente se promove mais tarde. Por conta das entradas de novos treinadores, por conta dos inícios das pré-épocas, por conta também dos inícios das escolhas desses próprios treinadores, por conta das necessidades de fluxos de caixa de outros clubes. Portanto, diria que é um mercado que se agitará em agosto, nas semanas finais de agosto, onde os clubes têm necessidades imediatas mais prementes e então ativam-se no mercado de outra forma. Isto às vezes é limitativo dos ideais de um treinador que normalmente quer começar uma pré-época com um plantel totalmente disponível e já totalmente feito. No entanto, também não podemos deixar de pensar na forma como atuamos no início desta época, 25/26, e ter em consideração que alguns jogadores do FC Porto também chegaram mais tarde, desde logo o Kiwior, que chegou no último dia da janela de transferências.»

Posições mais preocupantes: «O que marcou a época foi a lesão dos seus dois pontas-de-lança mais distintivos. Um representa a maior transferência de sempre feita por um clube português, que é o Samu; e no outro caso, o de Luuk de Jong, a transferência surpresa dos Países Baixos para o campeonato português de um jogador referência do futebol europeu. Portanto, essas lesões limitaram o FC Porto, obrigaram-nos a ir ao mercado em antecipação com a chegada do Terem Moffi. Neste momento, temos projetado o Samu para estar em pleno das suas capacidades físicas e desportivas para inícios/meados de novembro. Há uma série de responsabilidades de calendário nacional e calendário europeu para os quais o FC Porto, neste momento, tem apenas duas opções, o André Silva e o Denis Gul.»

Rumor Lewandowski: «É aí que aparece o Lewandowski fabricado pelos sonhos dos adeptos. Partir do pressuposto de que, por termos três polacos, isso seria suficiente para convencer um dos melhores jogadores do Mundo e um dos jogadores mais caros, em termos salariais, e que, tanto quanto sei, está hoje [sexta-feira] mesmo a assinar pelo Chicago Fire. Sempre esteve fora. É sempre bom sonhar com grandes chegadas. O que não podemos ter é delírios que impeçam a sustentabilidade financeira do clube.»

Abordado por investidores estrangeiros nos últimos anos: «Não, formal e diretamente não. Se abrirmos um dia a porta a investimento estrangeiro, seja em que moldes for, será o princípio do fim do FC Porto enquanto clube de associados. O nosso objetivo é que, enquanto clube de associados, se mantenha e se prolongue no maior espaço de tempo da sua história. É assim que deve ser. As dificuldades económicas e financeiras são típicas de um clube português. E é por isso que há que reformatar todo o novo conceito de receitas para que sejamos sustentáveis enquanto clube de associados. Eu acho que sermos um clube de associados é uma vantagem competitiva neste momento no panorama do futebol europeu, porque não estamos sujeitos às extravagâncias de diferentes proprietários que vão dominando as diferentes sociedades que gerem os diferentes clubes, sejam sociedades ou fundos. E da extravagância de um chinês se passa para um russo, de um russo para um americano, de um americano para um inglês. E nesta disrupção se vão destruindo culturas, valores e princípios. Portanto, a entrada de capital estrangeiro no FC Porto, e a presença de um acionista maioritário, está fora de questão. Isso seria o fim do associativismo. É o princípio do fim e é algo que devemos combater. Chegar a esse ponto só num caso evidente de falência financeira. É um passo que nós temos de evitar em absoluto. Portanto, se isso acontecesse, e se acontecesse comigo, seria uma falha grave minha enquanto presidente.»

Perspetiva romântica, face às dificuldades de clubes portugueses: «Em primeiro lugar, regressando ao aspeto de vantagem competitiva: eu acho que ela é evidente. Nós não estamos sujeitos a estas disrupções. O FC Porto é um clube de princípios e de valores e de uma exigência interna clara. Na sua génese estão os associados. Portanto, usar isto para mim é uma vantagem competitiva dentro do panorama europeu, sendo que na parte financeira os clubes portugueses sofrem quando competem com os outros. Depois, as novas formas de receita, desde logo aquela que nós criamos com as Dragon Notes, permitem criar sustentabilidade aos clubes associados. Nós fomos os primeiros, os pioneiros, o Sporting seguiu-se agora com o seu próprio Lion Notes, ou o que lhe quiser chamar, e potencialmente o Benfica poderá lançar-se numa nova emissão de dívida relacionada com as receitas que o seu estádio gera para levantar capital e, no fundo, reformatar-se e reformular-se economicamente. Portanto, há novas formas de criar receita. Esgotadas essas, para onde é que caminhamos? E aqui entramos na discussão das dificuldades que os clubes europeus atualmente têm para competir com a Premier League, o animal que distingue o futebol europeu e que se tornou de tal forma poderoso que o FC Porto agora compete com clubes do Championship por jogadores, porque os da Premier League já estão noutro patamar. Portanto, como é que os clubes europeus se unem para criarem condições novas de receitas económicas que tornem viável competirem com a Premier League? Até que ponto e quando passaremos a ter competições intrafronteiriças que permitam os clubes europeus gerarem mais receitas?»

Independência económica alicerçada no desempenho desportivo: «Sim, e no mercado de transferências. Portanto, receitas europeias, direitos audiovisuais e entradas na Liga dos Campeões

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