Última Divisão
·02 de fevereiro de 2026
10 clubes que você viu jogar, mas que já não existem mais

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·02 de fevereiro de 2026

Houve um dia, e nem faz muito tempo, que o seu time enfrentou um rival inédito na pré-Libertadores e passou com um protocolar placar agregado – tipo 1 a 1 lá e 2 a 0 em casa. Depois, na fase de grupos, deu vexame com uma derrota por 1 a 0 em casa para outra equipe da qual você nunca tinha ouvido falar.
Esses confrontos nunca mais vão acontecer, porque esses rivais não existem mais.
O cenário pode parecer irreal, mas está ao alcance da memória. Não são raros os casos de times que você viu recentemente no noticiário esportivo e que já não existem mais.
E olha que estamos falando apenas do cenário na América do Sul. No Brasil, você certamente é capaz de citar alguns clubes que fecharam as portas depois de algum protagonismo recente. Em países da Europa ou da Ásia, algumas equipes que já levaram astros do seu time de coração já não existem mais.
O Última Divisão fez uma lista aqui com 10 times que você viu jogar, mas que fecharam as portas entre 2019 e 2016. E acredite: o difícil desta lista foi fechar a relação com apenas 10 clubes, como você verá.
Confira!
Fundado em 1918, o antigo Dnipro Dnipropetrovsk só deixou de ser um figurante do futebol soviético a partir do fim da década de 1970, com dois títulos e dois vice-campeonatos na década de 1980. Com a dissolução da União Soviética, mudou de cores – do vermelho para o azul – e se tornou uma das forças do futebol ucraniano.
O auge veio a partir da primeira década do século XXI, com as presenças de jogadores como Giuliano, Alcides, Egídio, Nelson Rivas, Osmar Ferreyra e Ruslan Rotan. Em 2010, chegou o técnico espanhol Juande Ramos (ex-Real Madrid, Sevilla e Tottenham) para comandar a equipe. Em 2015, o time foi vice-campeão da Liga Europa, perdendo o título para o Sevilla.
Mas a derrocada começou logo depois. Em 2016, o dono do clube, Ihor Kolomoyskyi, reconheceu que os gastos para a manutenção do elenco eram irreais, indicando um freio nos investimentos. As dívidas logo bateram à porta e o resultado foi o rebaixamento na temporada 2016/2017.
Mesmo rebaixado, o Dnipro ainda cumpria punições esportivas como decorrência das dívidas. Ao fim da temporada 2017/2018, o clube foi rebaixado novamente pela Fifa às competições amadoras da Ucrânia, o que levou ao encerramento das atividades. Boa parte do elenco debandou para o SC Dnipro, fundado como um sucessor extraoficial.
O Real Garcilaso disputou quatro vezes a Libertadores entre 2013 e 2019 – a campanha de 2014, inclusive, foi marcada pelos ataques racistas de torcedores contra o volante Tinga, do Cruzeiro. Mas desde 2020, o clube sumiu da competição. Reparou?
No fim de 2019, o Real Garcilaso mudou de nome e virou Cusco Fútbol Club. Deixou os uniformes azuis e passou a vestir dourado. Mas continuou disputando competições continentais, jogando a Copa Sul-Americana de 2020 e de 2025.
Em 2026, o Cusco FC estará na Libertadores, a primeira participação no torneio com a nova identidade. O time chega após o vice-campeonato na primeira divisão peruana.
Talvez você se lembre da LDU de Loja por causa da participação do clube na Copa Sul-Americana de 2012. O time foi eliminado pelo São Paulo nas oitavas de final em um confronto duro: 1 a 1 no Equador, 0 a 0 no Morumbi. Antes, passou por Monagas (Venezuela) e Nacional (Uruguai).
Só que a trajetória de sucessos dos lojanos começou a declinar pouco tempo depois. Fora de campo, o presidente Jaime Villavicencio não se entendia com a Prefeitura de Loja e reclamava dos excessivos impostos sobre o clube. Os investimentos começaram a se tornar mais escassos e os resultados em campo minguaram.
Rebaixado da primeira divisão equatoriana no fim de 2015, não conseguiu subir e acabou rebaixado em 2019 para a Segunda Categoría – na prática, a terceira divisão. Com problemas administrativos, a LDU de Loja optou por não entrar em campo em 2020.
Mas não houve condições de retomar. O clube se viu endividado, sem crédito e sem dirigentes. Em junho de 2022, fechou as portas.
O Vilhenense Esportivo Clube surgiu como um raio no futebol de Rondônia – e sumiu com a mesma intensidade.
O clube foi fundado em outubro de 2017 por Waldir Kurtz, empresário que já patrocinava o Vilhena Esporte Clube. A estreia profissional veio no Campeonato Rondoniense de 2018, no qual o clube conquistou o primeiro turno e foi eliminado nas semifinais, ficando com o quarto lugar – resultado que valeu uma vaga na Copa Verde 2019, que foi recusada.
Mas 2019 foi o ano em que o Vilhenense fez história ao conquistar o título do Campeonato Rondoniense. A taça ainda valeu vagas na Copa do Brasil e na Série D de 2020. Na primeira, o time foi eliminado pelo Boa Esporte ainda na primeira fase; na segunda, caiu ainda na fase de grupos.
Só que a trajetória logo desandou. O Vilhenense desistiu do Rondoniense de 2020 no meio do campeonato por causa da pandemia de Covid-19 e ficou fora do torneio em 2021. Voltou às atividades conquistando a segunda divisão de Rondônia em 2022 e encerrou as atividades no fim de 2023 após o sexto lugar no Rondoniense, sob alegação de falta de apoio financeiro.
O Cortuluá já contou com nomes conhecidos em suas fileiras, como o goleiro Rafael Dudamel, o zagueiro Mario Yepes e o atacante Miguel Borja. Mas também já passou por maus bocados fora de campo.
Vencedor do Apertura na primeira divisão colombiana de 2001, o clube disputou a Libertadores em 2002, mas foi eliminado ainda na fase de grupos. Aquela seria a única participação dos Paneleros em torneios sul-americanos. Em 2004, o clube foi rebaixado.
Mas os problemas não pararam por aí. Em 2006, o Departamento do Tesouro dos EUA incluiu o Cortuluá na chamada Lista Clinton. Suspeito de participar de movimentação financeira de traficantes no exterior, o clube teve ativos financeiros no exterior congelados até 2012, quando a punição foi revogada.
Neste intervalo, o Cortuluá passou a oscilar entre a primeira e a segunda divisões. Mesmo após o fim da punição norte-americana, a equipe jamais se recuperou. No começo de 2024, em busca de novos investimentos, mudou-se de Tuluá para Palmira, onde adotou o nome de Internacional FC – ou Inter Palmira.
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O Brescia já teve jogadores como Roberto Baggio, Branco e Pep Guardiola, mas viveu anos difíceis a partir da aposentadoria de Baggio. Rebaixado da primeira divisão italiana em 2011, teria caído da Serie B em 2015, mas se salvou após a falência do Parma.
Teve um respiro em 2019 ao ser campeão da Série B, mas caiu de novo já no ano seguinte. Chegou a evitar novamente a queda na temporada 2024/2025, mas acabou punido com a perda de pontos e caiu para a Serie C.
Em meio às dívidas, o Brescia reconheceu que não teria condições de disputar a Serie C 2025/2026 e ficou fora do campeonato. A FIGC então revogou a licença profissional do clube, que se extinguiu em julho. A partir de agora, só poderá retornar como um clube-fênix, a exemplo do que já aconteceu na Itália com equipes como Fiorentina e Parma.
A cidade de Brescia agiu rápido, e a prefeita Laura Casteletti convocou três clubes da região para negociar uma mudança para a cidade: Feralpisalò, Lumezzane e Ospitaletto. O primeiro topou, virou Union Brescia e passou a jogar no Estádio Mario Rigamonti.
Sabe aquele clube chinês que ensaiou ser uma potência asiática? Que teve nomes como Paulinho, Ricardo Goulart, Alberto Gilardino, Jackson Martínez e Lucas Barrios? Que foi bicampeão asiático e disputou duas vezes o Mundial de Clubes? Que conquistou oito títulos da primeira divisão chinesa em nove anos?
Pois é, acabou. A partir de 2021, atendendo a um pedido da Associação Chinesa de Futebol, os clubes de futebol do país passaram a omitir nomes de empresas e investidores aos quais pertencessem. O Guangzhou Evergrande então passou a “esconder” o nome do conglomerado Evergrande e virou apenas Guangzhou FC.
A mudança de nome coincidiu com uma derrocada da Evergrande, a principal vítima da crise financeira que atingiu incorporadoras e empreiteiras chinesas a partir de 2020. Sem o dinheiro da empresa, que chegou a ser a segunda maior do ramo imobiliário no país, o Guangzhou perdeu força e acabou rebaixado em 2022.
A derrocada não demorou. Em meio a dívidas, o Guangzhou FC foi expulso da estrutura de futebol profissional da China em 2025. Diante disso, a diretoria optou por encerrar as atividades da equipe.
O La Equidad nasceu na década de 1980 como iniciativa de uma seguradora colombiana de mesmo nome. Virou profissional em 2003 e logo começou a ganhar terreno. Conquistou a Copa Colômbia em 2008 e fez boas campanhas na primeira divisão nacional, passando a figurar em torneios sul-americanos.
Na Copa Sul-Americana, foram sete participações entre 2009 e 2002. Na melhor delas, em 2019, o La Equidad chegou às quartas de final, mas foi eliminado pelo Atlético-MG.
Desde 2024, no entanto, a imprensa colombiana anuncia a possibilidade de uma venda do Asegurador. Em janeiro de 2025, veio a notícia da negociação do clube com o consórcio Tylis–Porter Group, com os atores Ryan Reynolds e Rob McElhenney entre os investidores.
O La Equidad manteve a identidade original até o fim de 2025. A partir de 2026, sob nova direção, passou a se chamar Internacional de Bogotá, trocando os uniformes verdes por alvinegros.
O Oeste se tornou protagonista de um incômodo nos últimos anos. Depois de uma história de décadas em Itápolis, o Rubrão ascendeu no futebol nacional e se tornou grande demais para a própria cidade, que não conseguiu acompanhar com os investimentos e as estruturas necessárias.
Veio então a mudança de sede para Barueri a partir de 2017. O time respondeu brigando pelo acesso na Série B do Brasileiro daquele ano e com o vice-campeonato na Série A2 do Paulista de 2018. Mas logo o casamento perdeu fôlego e os resultados deixaram de vir.
As mudanças políticas em Barueri logo deixaram a relação com a cidade mais custosa. Em 2025, o clube passou a mandar jogos para outras cidades, como Osasco e Santana de Parnaíba. Como a bola de neve financeira não parava de crescer, o jeito foi ir embora da cidade.
Em 2026, o Oeste mudou novamente de cidade, agora para Osasco. Desta vez, porém, mudou também de identidade: virou o Osasco Sporting e trocou os uniformes rubro-negros por azuis. Assim, o Oeste Futebol Clube que nasceu lá em Itápolis já não existe mais.
Nos últimos anos, o futebol paulista viu muitos clubes emergentes sumindo com a mesma velocidade em que decolaram. Casos como os de Grêmio Barueri, de Guaratinguetá e de Oeste, por exemplo. O Joseense pode entrar nesta lista, embora a decolagem nem de longe tenha repetido o brilho dos clubes citados.
Fundado em 1998, o Clube Atlético Joseense sempre teve dificuldades para dividir com o São José os holofotes em São José dos Campos. Em 2006, mudou de nome para Clube Atlético Paulista Joseense, sonhando com uma projeção que extrapolasse o Vale do Paraíba – não deu certo, e o nome original foi retomado anos depois.
Em 2014, nova mudança: virou o São José dos Campos Futebol Clube, adotando as cores azul e amarela – tudo bem semelhante ao EC São José. A rejeição foi grande, e o Joseense voltou à identidade original em 2017.
Como a SAF do São José assumiu a gestão do Estádio Martins Pereira em 2025, começou a cobrar aluguel do local para que o Joseense atuasse ali. O Tigre passou a treinar em Taubaté e a jogar em Guaratinguetá. Até que surgiu uma oferta vantajosa: a mudança para Jacareí.
Assim, o Joseense foi embora de São José dos Campos. Na nova cidade, passou a se chamar Jacareí Futebol Clube e trocou os uniformes em amarelo e preto por azul e branco.
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No Brasil, clubes como o Grêmio Barueri, o Guaratinguetá e o Vilhenense fecharam as portas. Na Colômbia, o Alianza Petrolera também encerrou as atividades no fim de 2024, enquanto o Atlético Huila terminou 2025 sem saber se volta aos gramados.
O Shanghai Shenxin, que já levou nomes como Zé Love e Biro Biro para o futebol chinês, deixou de existir em 2020. E o Bangor City, do País de Gales, que teve até jogador entre os finalistas ao prêmio de melhor jogador da Europa em 2012, encerrou as atividades no começo de 2025.
Você deve ter sentido falta de alguns nomes conhecidos na lista e lembrado do Vitesse. O clube chegou a perder a licença profissional em julho de 2025, mas conseguiu recuperá-la em setembro e entrou na disputa da segunda divisão holandesa da temporada 2025/2026.








































