A situação do Inter é muito diferente do que estão imaginando
A primeira coisa que dá para dizer é que a situação é grave. Já passou da fase da corneta, do alerta ou da provocação. O Internacional caminha a passos largos para brigar contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
No momento, a campanha é pior do que qualquer outra na história recente do clube. Três jogos no Estádio Beira-Rio, três derrotas. Derrota para o Bahia dentro de casa. E um cenário que pode terminar com o Inter na lanterna da competição dependendo do resultado de outros jogos.
Não há mais para onde olhar. Durante muito tempo se falou de arbitragem, federação, fatores externos. Mas chega um momento em que o clube precisa olhar para dentro e entender o que está acontecendo.
E a primeira constatação é curiosa: não parece ser falta de entrega.
A torcida gritou “vergonha” nas arquibancadas, pediu mais luta, mais raça. Só que em campo os jogadores correm. Bernabei terminou o jogo exausto, dobrado sobre os joelhos. Mercado deu entrevista sem fôlego depois da partida. O esforço existe.
O que não aparece é desempenho.
E aí surgem as perguntas. É um problema de modelo de jogo? É dificuldade em assimilar as ideias do treinador? Ou simplesmente falta qualidade para competir em alto nível?
Porque o roteiro das partidas tem sido sempre o mesmo.
O Inter tem posse de bola, chega ao ataque, cria oportunidades. Contra o Bahia, por exemplo, Bernabei foi protagonista ofensivo. Teve várias ações perigosas pelo lado do campo. O time finaliza, tenta, empurra o adversário para trás.
Mas o gol não sai.
E quando não sai na frente, o castigo costuma vir do outro lado. O Bahia marcou e expôs mais uma vez a fragilidade defensiva do time. E o detalhe chama atenção: havia oito jogadores do Inter dentro da área no momento do lance.
O problema não era quantidade de defensores. Era atitude. Parecia que ninguém queria dar o bote, ninguém queria atacar a bola. Aquela sensação que os torcedores resumem com ironia: marcação via Wi-Fi.
A partir daí começa outra discussão inevitável: o papel do treinador.
Paulo Pezzolano é o responsável pelo time e, naturalmente, parte da conta cai sobre ele. Algumas escolhas são questionáveis. A insistência com Aguirre na lateral-direita enquanto Bruno Gomes fica no banco é uma delas.
Outra foi o posicionamento de Carbonero aberto pela direita, sem conseguir produzir praticamente nada. Quando ele mudou de lado e Bernabei voltou para a lateral, o time até voltou a criar algumas jogadas.
Mas o ataque também falhou. Alerrandro perdeu uma grande chance dentro da área e ainda acertou o travessão em outro lance. Borré teve atuação discreta como centroavante e só melhorou quando passou a cair mais pelo lado do campo.
No meio, a dupla de volantes também não convenceu. Ronaldo e Paulinho tiveram atuação apagada. Quando Bruno Henrique entrou, o time ganhou um pouco mais de dinâmica.
E na defesa, Victor Gabriel sofreu. Muitas faltas, dificuldade de marcação e problemas evidentes quando o nível do adversário sobe.
No fim das contas, o Inter parece ter mais perguntas do que respostas.
Não é falta de vontade. Não parece ser apenas uma questão de sistema. E talvez nem seja exclusivamente responsabilidade do treinador. O que começa a aparecer é algo mais preocupante: insuficiência técnica para disputar uma Série A com tranquilidade.
Hoje, olhando a tabela e o desempenho em campo, o Inter é um dos piores times do campeonato.
E quando um time entra nesse ciclo, a história mostra que o risco é real. Em 2016, o clube também flertou com o perigo até que a queda aconteceu. No ano passado escapou.