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JB Filho Repórter

·15 de março de 2026

A situação do Inter é muito diferente do que estão imaginando

Imagem do artigo:A situação do Inter é muito diferente do que estão imaginando
  • A primeira coisa que dá para dizer é que a situação é grave. Já passou da fase da corneta, do alerta ou da provocação. O Internacional caminha a passos largos para brigar contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
  • No momento, a campanha é pior do que qualquer outra na história recente do clube. Três jogos no Estádio Beira-Rio, três derrotas. Derrota para o Bahia dentro de casa. E um cenário que pode terminar com o Inter na lanterna da competição dependendo do resultado de outros jogos.
  • Não há mais para onde olhar. Durante muito tempo se falou de arbitragem, federação, fatores externos. Mas chega um momento em que o clube precisa olhar para dentro e entender o que está acontecendo.
  • E a primeira constatação é curiosa: não parece ser falta de entrega.
  • A torcida gritou “vergonha” nas arquibancadas, pediu mais luta, mais raça. Só que em campo os jogadores correm. Bernabei terminou o jogo exausto, dobrado sobre os joelhos. Mercado deu entrevista sem fôlego depois da partida. O esforço existe.
  • O que não aparece é desempenho.
  • E aí surgem as perguntas. É um problema de modelo de jogo? É dificuldade em assimilar as ideias do treinador? Ou simplesmente falta qualidade para competir em alto nível?
  • Porque o roteiro das partidas tem sido sempre o mesmo.
  • O Inter tem posse de bola, chega ao ataque, cria oportunidades. Contra o Bahia, por exemplo, Bernabei foi protagonista ofensivo. Teve várias ações perigosas pelo lado do campo. O time finaliza, tenta, empurra o adversário para trás.
  • Mas o gol não sai.
  • E quando não sai na frente, o castigo costuma vir do outro lado. O Bahia marcou e expôs mais uma vez a fragilidade defensiva do time. E o detalhe chama atenção: havia oito jogadores do Inter dentro da área no momento do lance.
  • O problema não era quantidade de defensores. Era atitude. Parecia que ninguém queria dar o bote, ninguém queria atacar a bola. Aquela sensação que os torcedores resumem com ironia: marcação via Wi-Fi.
  • A partir daí começa outra discussão inevitável: o papel do treinador.
  • Paulo Pezzolano é o responsável pelo time e, naturalmente, parte da conta cai sobre ele. Algumas escolhas são questionáveis. A insistência com Aguirre na lateral-direita enquanto Bruno Gomes fica no banco é uma delas.
  • Outra foi o posicionamento de Carbonero aberto pela direita, sem conseguir produzir praticamente nada. Quando ele mudou de lado e Bernabei voltou para a lateral, o time até voltou a criar algumas jogadas.
  • Mas o ataque também falhou. Alerrandro perdeu uma grande chance dentro da área e ainda acertou o travessão em outro lance. Borré teve atuação discreta como centroavante e só melhorou quando passou a cair mais pelo lado do campo.
  • No meio, a dupla de volantes também não convenceu. Ronaldo e Paulinho tiveram atuação apagada. Quando Bruno Henrique entrou, o time ganhou um pouco mais de dinâmica.
  • E na defesa, Victor Gabriel sofreu. Muitas faltas, dificuldade de marcação e problemas evidentes quando o nível do adversário sobe.
  • No fim das contas, o Inter parece ter mais perguntas do que respostas.
  • Não é falta de vontade. Não parece ser apenas uma questão de sistema. E talvez nem seja exclusivamente responsabilidade do treinador. O que começa a aparecer é algo mais preocupante: insuficiência técnica para disputar uma Série A com tranquilidade.
  • Hoje, olhando a tabela e o desempenho em campo, o Inter é um dos piores times do campeonato.
  • E quando um time entra nesse ciclo, a história mostra que o risco é real. Em 2016, o clube também flertou com o perigo até que a queda aconteceu. No ano passado escapou.
  • Mas nem sempre os astros se alinham duas vezes.
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