Central do Timão
·28 de setembro de 2026
EDITORIAL | Diálogo e tempo para adaptação

In partnership with
Yahoo sportsCentral do Timão
·28 de setembro de 2026

Por Redação da Central do Timão
A Central do Timão entende e respeita a preocupação com os impactos causados pelas apostas, especialmente em relação ao vício, ao endividamento e à proteção das pessoas mais vulneráveis.
Esse é um problema real, que precisa ser enfrentado com responsabilidade, fiscalização, prevenção, informação e políticas efetivas de combate à dependência.
Mas proibir, por si só, não significa proteger.
Uma preocupação que precisa fazer parte desse debate é o mercado ilegal, que não desaparece simplesmente com a proibição. Sem fiscalização eficiente e mecanismos capazes de impedir o acesso às plataformas clandestinas, existe o risco de parte dos apostadores migrar para operadores que não seguem qualquer regra, não recolhem impostos e oferecem ainda menos proteção ao consumidor.
Ao mesmo tempo, é preciso discutir a forma e, principalmente, o prazo para uma mudança dessa dimensão.
Clubes, federações, competições, emissoras, veículos de comunicação, agências, produtoras, criadores de conteúdo, fornecedores e milhares de profissionais organizaram suas atividades com base em contratos firmados quando o setor era legal, regulamentado e autorizado pelo próprio Estado.
A Central do Timão faz parte dessa cadeia.
Receitas provenientes desse mercado foram incorporadas ao planejamento das empresas e ajudaram a financiar estruturas, produção de conteúdo, salários e postos de trabalho. Uma interrupção praticamente imediata não atinge apenas as casas de apostas. Seus efeitos percorrem toda a cadeia do esporte e da comunicação e podem chegar diretamente aos empregos de quem depende dela.
No futebol, o impacto também vai muito além das marcas estampadas nas camisas. Está nos patrocínios de clubes e competições, nos naming rights, nas placas publicitárias, nas transmissões, na mídia e em diferentes propriedades comerciais que ajudam a financiar o esporte.
Outros mercados adotaram caminhos de transição. A Premier League anunciou, em 2023, a retirada das casas de apostas da frente das camisas e estabeleceu a mudança apenas a partir do fim da temporada 2025/26, dando aos clubes praticamente três anos para adaptação. Na Espanha, contratos existentes também receberam período de transição.
O próprio Senado brasileiro, antes da atual Medida Provisória, avançava na discussão de fortes restrições à publicidade e ao patrocínio das bets, mas com previsão de 24 meses para adequação ou encerramento dos contratos existentes.
A Medida Provisória publicada em 25 de setembro escolheu um caminho muito mais abrupto, proibindo a atividade e sua publicidade e estabelecendo uma janela curta para adequação.
Não cabe à Central do Timão defender a permanência das casas de apostas. Também não cabe ignorar os problemas sociais relacionados ao jogo.
O que defendemos é diálogo e tempo razoável de adaptação.
Se o Brasil decidiu mudar esse modelo, clubes e empresas terão que buscar novas receitas e reorganizar seus negócios. A Central também fará isso.
Mas contratos celebrados dentro da legalidade, empregos criados, investimentos realizados e estruturas construídas não conseguem ser substituídos de uma hora para outra.
Combater o vício é necessário. Combater o mercado ilegal também. E proteger as pessoas deve ser prioridade nessa discussão.
É possível fazer tudo isso com uma transição responsável.
Por isso, a Central do Timão defende que Governo, Congresso, clubes, empresas, trabalhadores e demais setores envolvidos dialoguem sobre um período adequado de adaptação, de modo a preservar a proteção ao cidadão sem ignorar os impactos econômicos e sociais de uma mudança tão profunda.
Veja mais:
Corinthians avança na preparação para retorno do Brasileirão com treino tático no CT







































