Em meio à polêmicas e brigas políticas, Conselho inicia votação de reforma estatutária: veja todas as propostas de alteração | OneFootball

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·26 de agosto de 2026

Em meio à polêmicas e brigas políticas, Conselho inicia votação de reforma estatutária: veja todas as propostas de alteração

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Após dois adiamentos sucessivos, o Conselho Deliberativo do São Paulo vota nesta data o pacote de propostas de mudanças estatutárias voltado para a reformulação da governança do clube. O texto final foi elaborado ao longo dos últimos meses por uma comissão especial criada exclusivamente para discutir a reforma do estatuto.

A comissão responsável pelos textos ressalta que as alterações em pauta não interferem no processo eleitoral para a presidência e tampouco preveem a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).


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O eixo central da proposta altera a estrutura de controle interno e altera pontos específicos da administração:

Conselho de Administração: Assumirá papel estratégico central, com ampliação dos poderes de fiscalização sobre decisões orçamentárias e financeiras de grande porte.

Conselho Fiscal: Passará por ajustes pontuais na estrutura de fiscalização de contas e conformidade.

Transparência ativa: Criação da obrigatoriedade de publicação de balancetes financeiros trimestrais no site oficial do clube.

Metodologia de votação e adiamentos

Prevista originalmente para ser apreciada há duas semanas, a votação acabou postergada a pedido de conselheiros que solicitaram prazo adicional para análise do texto. Na ocasião, o encontro inicial foi mantido apenas para debates antes da definição da nova data.

Para viabilizar a análise do colegiado, as 54 propostas apresentadas foram fatiadas e divididas em 12 blocos temáticos. Cada grupo de medidas será votado individualmente pelos conselheiros, permitindo a aprovação parcial das propostas em pauta.

Pressões políticas

Conforme revelou o AVANTE MEU TRICOLOR, a crise financeira e a fervura política no São Paulo ganharam novos e decisivos capítulos. Em meio à revelação de que o balanço semestral apontou um déficit de R$ 215 milhões no primeiro semestre — elevando a dívida consolidada do clube para a marca de R$ 1,1 bilhão —, a diretoria busca alternativas de alívio orçamentário. Contudo, a assinatura da carta de intenções para que a estadunidense Ticketmaster assuma a operação de ingressos a partir de 2027 virou moeda de troca no cenário político do Morumbi.

Grupos da base aliada da gestão (Legião, Participação, Vanguarda, Sou Tricolor e Sou São Paulo) articulam condicionar a liberação e aprovação do novo contrato comercial à votação da Reforma Estatutária.

Inicialmente propensos a barrar o texto da Reforma Estatutária por interpretarem que a proposta conta com forte influência do presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior — o que tornaria sua aprovação uma vitória política do primncipal rival político do momento —, os grupos da situação passaram a utilizar a liberação do contrato com a Ticketmaster como trunfo nas negociações.

O movimento vem em resposta às barreiras impostas pela própria presidência do Conselho. Olten Ayres sinalizou a intenção de criar comissões internas para devassar todo o processo de concorrência da nova tiqueteira, com análise das propostas concorrentes (como a da empresa NewC), da confecção do edital e de eventuais vínculos entre membros da diretoria e a multinacional.

Mesmo sob a pressão de aliados do presidente Harry Massis para que a deliberação ocorra em ritmo de urgência, a tendência de bastidor é que a apuração e o trâmite no Conselho se desdobrem por, no mínimo, dois meses.

Para piorar o cenário, duas das principais torcidas organizadas do clube, Independente e Falange Tricolor, divulgaram na noite de terça-feira (25) um manifesto contra a reforma, por entenderem que a prioridade agora seria focar em salvar o time do rebaixamento e exigerem que sejam incluídas cláusulas de maior participação democrática nos processos eleitorais, principalmente com a abertura para sócios e sócios-torcedores votarem nas eleições à presidência.

Modernização Institucional em Risco

Apesar da disputa de narrativas entre situação e oposição, analistas e conselheiros independentes apontam que o travamento da Reforma Estatutária representa um retrocesso para as pretensões de governança do São Paulo. Os pontos centrais da proposta visam justamente modernizar a gestão do clube e estipular travas contra o endividamento desenfreado.

Diante do rombo bilionário recém-revelado nas contas tricolores, a aprovação das novas diretrizes estatutárias é vista por especialistas em gestão esportiva como a única via viável para restabelecer a credibilidade do São Paulo e abrir caminho para a solução estrutural de seus problemas financeiros.

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