Calciopédia
·25 de agosto de 2026
Na 1ª rodada da Serie A, Roma e Inter golearam rivais de pesos diferentes e largaram na frente

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·25 de agosto de 2026

A primeira rodada da Serie A 2026-27 começou com vitórias de grande parte das equipes cotadas para ocupar as primeiras posições da tabela. Os destaques ficaram por conta de Roma e Inter, ambas com goleadas. No Olímpico, a equipe capitolina passou com autoridade pela Fiorentina, uma das candidatas a ser uma das sensações da temporada, enquanto os nerazzurri fizeram 4 a 1 sobre o Monza, recém-promovido da Serie B.
Juventus, Milan e Napoli também começaram com três pontos, embora em partidas mais equilibradas. Lazio e Atalanta, que chegam ao novo campeonato cercadas de incógnitas, igualmente venceram seus jogos. O Como, por sua vez, tropeçou logo na estreia e ficou no empate com a Udinese.
Entre os derrotados, alguns terão de recalcular a rota desde cedo. É o caso de Fiorentina e Bologna, enquanto Sassuolo, Torino, Genoa e Frosinone, apesar dos tropeços, deixaram impressões mais positivas. Houve ainda, logo de cara, confrontos diretos entre times que devem lutar pela permanência. Neles, os visitantes levaram a melhor: o Cagliari venceu o Parma, e o Lecce derrotou o Venezia. Confira essas histórias no resumo da jornada.
Gols e assistências: Malen (Dybala), Malen (Dybala), Malen (Dybala) e Pisilli Tops: Malen e Dybala (Roma) Flops: Dragusin João Mário (Fiorentina)
A Roma iniciou o campeonato com uma atuação que evidenciou a diferença de preparação entre as duas equipes e exaltou os protagonistas Dybala e Malen, além de ter mostrado suas credenciais na briga pelo scudetto. Em noite de atuação brilhante do argentino, responsável pelas três assistências, e de eficiência do holandês, autor dos três primeiros gols, o time de Gian Piero Gasperini dominou completamente uma Fiorentina ainda em processo de adaptação ao trabalho de Fabio Grosso. O resultado foi construído com uma combinação de intensidade, superioridade física e capacidade de atacar com muitos jogadores, enquanto a Viola não encontrou respostas para os duelos individuais nem para a conexão da dupla Dybalen. Ainda é cedo para tirar conclusões definitivas sobre os gigliati, mas, nesta partida, se formou um abismo entre as formações.
Gasperini precisou alterar seus planos antes do jogo, com Molina fora por um problema físico, e escalou o jovem Lulli, de 19 anos, além do recém-chegado Mora, deixando Soulé no banco. A Fiorentina, por sua vez, começou com cinco novidades, entre elas o também garoto Mastantuono, que atuou ao lado de Atta, enquanto Pellegrino substituiu Kean, que está em tratativas com o Como. A Roma, mais entrosada com um sistema que seus jogadores já conheciam, começou impondo sua força física e os duelos individuais, atacando com seis homens: Mora, Dybala e Malen na frente, Lulli e Wesley pelos lados e Hermoso frequentemente avançando para participar da construção. O jovem português parou em defesaça de De Gea e o espanhol teve um gol anulado.
Dybala rapidamente assumiu o protagonismo. Depois de duas finalizações nos cinco primeiros minutos, uma defendida de maneira segura e outra por cima, criou a jogada que abriu o placar. Aos 27 minutos, ele arrancou pelo meio entre três adversários e encontrou Malen, que cortou Dodô de maneira plástica e finalizou de esquerda para fazer 1 a 0. Os visitantes ainda reclamaram de falta de Hermoso em Mastantuono no início da jogada, mas o árbitro mandou o jogo seguir e o VAR, que promete ser menos intervencionista nesta temporada, não analisou o lance – que, de fato, foi faltoso.
A Fiorentina não conseguiu reagir e, na segunda etapa, a Roma transformou o domínio em uma vantagem ainda maior. Pellegrino ficou isolado no ataque, Atta teve dificuldades para romper as linhas, Fagioli foi neutralizado pela presença de Mora, Ndour não conseguiu impor sua força, enquanto Dodô sofreu com as infiltrações de Malen. Ranieri e João Mário não encontraram maneira de conter Dybala pelo lado esquerdo, enquanto Dragusin foi engolido pelos giallorossi. Após lançamento de Hermoso, o lateral português errou um domínio bem na frente do camisa 21 giallorosso e o zagueiro romeno conseguiu bloquear o centroavante mandante.
Aos 59 minutos veio a terceira participação decisiva da dupla: Dybala recebeu perto da linha de fundo, serviu Malen com a parte externa do pé, e o holandês completou de primeira para anotar sua tripletta. Com a Fiorentina nas cordas, Grosso tentou reagir com as entradas de Jiménez, Oulaï e Kean – o italiano chegou a finalizar duas vezes – e Gasperini deixou suas peças descansarem, substituindo inclusive os aplaudidos Malen e Dybala. Pisilli, um dos que saíram do banco, marcou o quarto gol, pouco antes do fim, e correu para comemorar diante da Curva Sud. A Roma saiu do Olímpico com uma demonstração contundente de força, enquanto a Fiorentina terá de trabalhar para encontrar seus equilíbrios antes do próximo compromisso. Um jogo simbólico, inclusive, pois marca as comemorações de seu centenário. O rival será o modesto Frosinone.
Gols e assistências: Çalhanoglu (Diouf), Zielinski, Esposito (Diouf) e Bisseck (Esposito); Varela (Mout) Tops: Esposito e Diouf (Inter) Flops: Pizzignacco e Lucchesi (Monza)
A Inter começou a Serie A mantendo a força ofensiva que marcou a temporada anterior, mas o 4 a 1 sobre o Monza não conta toda a história do jogo. A equipe de Cristian Chivu construiu uma goleada depois de um primeiro tempo no qual os visitantes mostraram ambição e conseguiram reagir rapidamente ao gol precoce de Çalhanoglu. O empate de Varela manteve o confronto aberto até o intervalo, mas um erro de Pizzignacco logo no início da segunda etapa mudou o cenário e abriu caminho para que a qualidade da atual campeã transformasse uma partida equilibrada em uma vitória sem discussão sobre o caçula.
O primeiro gol do campeonato saiu dos pés de Çalhanoglu, aos 6 minutos, em uma situação carregada de simbolismo: assim como em sua estreia pela Inter, o meio-campista marcou em San Siro e na mesma baliza. O turco acertou um tirambaço após receber assistência de Diouf, aposta de Chivu para ocupar a ala direita enquanto Spence ficou na tribuna à espera de recuperar sua melhor condição. O Monza, porém, respondeu imediatamente e encontrou o empate com Varela, um dos recém-chegados ao time, que inicia a temporada chamando atenção. O português, que deixou Akanji na saudade no lance, já havia anotado uma doppietta sobre o Avellino, pela Coppa Italia. O 1 a 1 deixava a impressão de que os donos da casa poderiam sofrer diante de um adversário que havia competido com coragem.
O jogo mudou poucos segundos depois do intervalo, sobretudo por causa dos erros cometidos pelo Monza. Aos 47 minutos, Pizzignacco saiu do gol de maneira desastrosa, espalmou para a entrada da área e entregou a Zielinski a oportunidade de recolocar a Inter em vantagem. O goleiro já havia apresentado insegurança no primeiro gol de Çalhanoglu, e sua participação acabou sendo importante para que o Monza perdesse o controle que havia conseguido manter durante boa parte do primeiro tempo. A partir daí, a Inter encontrou espaço para impor sua superioridade técnica. Diouf apareceu novamente em velocidade em sua segunda arrancada, da qual nasceu o terceiro gol, marcado por Esposito com um belo toque de letra. Pouco depois, francês e italiano participaram novamente da construção ofensiva que permitiu a Bisseck fechar o placar. A partida reforçou o protagonismo do centroavante, cada vez mais importante no ataque nerazzurro, enquanto o meia, jogando como ala, terminou a tarde como peça diretamente envolvida na construção de três dos quatro tentos. Mais tarde, haveria tempo ainda para as estreias de Stones e Stankovic, ovacionados pela torcida.
Gols e assistências: De Bruyne (Vergara) e Vergara (De Bruyne) Tops: Vergara e De Bruyne (Napoli) Flops: Otoa e Meichtry (Genoa)
O Napoli do estreante Massimiliano Allegri começou a temporada com uma vitória construída em uma partida de tempos bem diferentes: sofreu diante da intensidade do Genoa no primeiro, mas cresceu depois do intervalo e encontrou no banco a qualidade que faltava para transformar o domínio territorial em resultado. O time de Daniele De Rossi foi mais convincente na metade inicial, enquanto os visitantes tiveram apenas um chute no alvo e ficaram atrás na posse de bola. A queda física dos grifoni, combinada com as entradas de Vergara e De Bruyne, mudou o equilíbrio do confronto na segunda etapa e permitiu aos azzurri marcarem duas vezes no fim, embora o primeiro gol tenha provocado forte reclamação dos donos da casa.
De Rossi manteve sua defesa titular, apostou em Alexsandro Amorim no meio-campo e deu liberdade a Baldanzi para atuar como elo com o ataque, enquanto Norton-Cuffy voltou a ser titular pelo lado direito. Allegri iniciou com o 4-3-3 e deixou De Bruyne no banco, com Marín vencendo a disputa por uma vaga na defesa. No meio-campo, porém, a intensidade do Genoa se impôs durante boa parte do primeiro tempo. Vitinha e Frendrup ameaçaram Meret, enquanto o Napoli encontrou dificuldades para achar Højlund: quando o dinamarquês recebia uma bola mais livre na intermediária, Østigard e seus companheiros de zaga rapidamente o pressionavam, impedindo também que seus companheiros chegassem para ajudá-lo. Só depois da meia hora os visitantes perceberam que o setor de Marcandalli oferecia mais espaço, e Alisson Santos, até então o melhor jogador do Napoli, passou a ser mais acionado. Foi por esse lado que surgiram algumas oportunidades desperdiçadas.
Na segunda etapa, contudo, o Genoa já não conseguiu sustentar a intensidade que havia sido decisiva antes do intervalo. O time continuou organizado sem a bola, mas passou a dar mais campo ao Napoli e teve dificuldade para voltar a ameaçar Meret. Norton-Cuffy e Ellertsson recuaram e os rossoblù passaram se defender numa linha de cinco, enquanto Allegri tentou aproximar Lobotka do setor ofensivo. Aos 62 minutos, McTominay finalmente produziu um dos primeiros grandes sinais de reação dos azzurri, exigindo uma defesa de Bijlow. As mudanças seguintes aceleraram essa transformação: De Rossi colocou Otoa e Junior Messias nos lugares de Østigard e Baldanzi, enquanto o técnico adversário lançou Vergara e Lang e colocou De Bruyne no meio-campo. A partir daí, o Napoli ganhou a qualidade que lhe faltava. Na casa dos 83 minutos, o belga marcou após fazer uma carga com o antebraço nas costas de Vásquez e desequilibrar o capitão do Genoa antes da finalização. O lance provocou a revolta dos donos da casa, já que o tento foi validado. Combalido e desatento, o Grifone ainda levou o segundo na sequência, quando os partenopei produziram jogada concluída por Vergara – com direito a tentativa tétrica de corte de Otoa, que acabou entrando com bola e tudo.
Gols e assistências: Adams (Gineitis); Cissé (Rabiot) e Rabiot (Chukwueze) Tops: Rabiot e Cissé (Milan) Flops: Vlasic e Casadei (Torino)
O Milan venceu uma partida equilibrada graças a dois gols em apenas três minutos. O time de Rúben Amorim já havia mostrado na primeira etapa uma postura agressiva, baseada em pressão alta, intensidade e iniciativa, e encontrou, com as entrada de Rabiot e Modric, o impulso que faltava para converter esse comportamento em gols. O francês participou de ambos, enquanto o garoto Cissé substituiu Rafael Leão com galhardia e marcou em sua estreia pelos rossoneri. O Torino ainda encontrou forças para reagir no fim e diminuiu com uma bela finalização de Adams, mas o tento veio tarde demais para ameaçar os três pontos do adversário.
Ignazio Abate, em sua primeira partida como técnico na Serie A justamente contra o clube pelo qual jogou e venceu como atleta, precisou lidar com a ausência do suspenso Cömert e começou com Ismajli ao lado de Comuzzo e Coco, além de promover a estreia de Mascardi no gol. Cacciamani ocupou o lado esquerdo e Fitz-Jim apareceu no meio, com Casadei e Vlasic atrás de Simeone. No Milan, sem Rafa Leão por um problema muscular, a principal surpresa foi a ausência de Modric entre os titulares, com Jashari formando a dupla de meio-campo com Musah. Gila, Cissé e Gonçalo Ramos fizeram suas estreias pelo clube. Em campo, o Diavolo começou impondo um ritmo muito mais agressivo do que aquele associado à equipe de Allegri: a pressão alta apareceu desde os primeiros segundos, e Cissé não precisou nem de dois minutos para levar perigo. O time visitante atacava sobretudo pela direita, onde Chukwueze incomodava Cacciamani, e aos 30 minutos o nigeriano obrigou o arqueiro rival a defender uma finalização de esquerda no primeiro poste. O Torino também teve seus momentos, mas os rossoneri mantiveram a iniciativa e a intensidade durante a primeira etapa.
O início do segundo tempo foi um pouco melhor para o Torino, que quase abriu o placar aos 54 minutos, quando Coco cabeceou após cobrança de falta de Fitz-Jim e levou perigo a Maignan. Amorim percebeu que precisava alterar a equipe e lançou Rabiot e Modric nos lugares de Loftus-Cheek e Jashari. As substituições mudaram o confronto. Aos 64 minutos, o francês, atuando mais adiantado, encontrou Cissé dentro da área, e o ex-Catanzaro concluiu bonito para superar Mascardi e marcar em sua estreia na Serie A. Já aos 67, o Milan ampliou: Chukwueze cruzou com precisão e Rabiot apareceu a um metro do gol para completar a jogada e fazer 2 a 0. O golpe foi especialmente duro para o Torino, que até então estava vivo no jogo. Os donos da casa ainda conseguiram reagir nos minutos finais, impulsionados sobretudo pela entrada de Njie, que deu mais vivacidade ao ataque.
A pressão final do Torino produziu o golaço de Adams já nos acréscimos, em uma bela girada após cobrança de falta da zona lateral esquerda, mas não havia tempo para uma reação mais intensa e a partida acabou pouco depois. O resultado confirmou uma estreia positiva de Amorim, que não apenas saiu com os três pontos como viu sua equipe apresentar, desde o primeiro tempo, uma identidade baseada em ritmo, pressão e intensidade. Para o Torino, ficou a frustração de ter sofrido dois gols em um intervalo de apenas três minutos, mas também o mérito de não abandonar o jogo depois do golpe e terminar o confronto buscando o empate.
Na estreia de Allegri, o Napoli não jogou bem, mas venceu (Getty)
Gol e assistência: Bremer (Conceição) Tops: Bremer e Conceição (Juventus) Flops: Monterisi e Schmid (Frosinone)
A Juventus começou o campeonato com uma vitória que evidenciou, ao mesmo tempo, uma de suas principais virtudes e um problema que ainda não foi resolvido. A equipe de Luciano Spalletti encontrou segurança para proteger a vantagem construída no primeiro tempo, mas não conseguiu transformar as várias oportunidades criadas em um segundo gol e terminou pressionada por um Frosinone que cresceu na etapa final. O 1 a 0 saiu de uma cabeçada de Bremer ainda antes da meia hora, mas a incapacidade de matar o jogo manteve o resultado em aberto até os acréscimos, quando Calvani acertou a trave aos 93 minutos e quase transformou o desperdício da Velha Senhora em uma surpresa.
Spalletti começou com um novo nome – ou nem tanto – em cada setor: Vicario no gol, Çelik na defesa, Douglas Luiz no meio e Kolo Muani no ataque, acompanhado por Conceição, McKennie e Yildiz. O Frosinone, empurrado pelo público e pelo retorno à Serie A, tentou pressionar alto nos primeiros minutos, mas a Juventus rapidamente ganhou campo e posse graças à qualidade do volante brasileiro na circulação. O gol foi construído por Chico Conceição, com um cruzamento preciso para Bremer cabecear e abrir o placar. Depois, Kolo Muani, ainda longe de sua melhor forma, perdeu uma chance clara diante da baliza, enquanto Kalulu acertou a trave e, no rebote, Palmisani fez uma defesa importante. Os ciociari deram algumas respostas com as acelerações de Kvernadze e, aos 40 minutos, obrigaram Vicario a fazer sua primeira defesa com a camisa bianconera, em chute de Bracaglia.
A segunda etapa manteve o principal problema do jogo: a Juventus continuava criando, mas não conseguia concluir. Conceição desperdiçou outra oportunidade de curta distância, e a sequência de chances perdidas começou a dar confiança ao Frosinone. Fini tentou surpreender Vicario, enquanto a entrada de Hasa, ex-jogador bianconero, aumentou a vivacidade da equipe de Massimiliano Alvini, que passou a avançar com maior frequência até a intermediária ofensiva. Spalletti mexeu em busca de proteção e contragolpes, mas nãi deu muito certo, ainda que a Velha Senhora tenha segurado o placar e mantido as redes intactas. Porém, chegou ao fim muito mais perto de sofrer o empate do que de marcar o segundo. A falta de contundência ofensiva preocupou e a provável ausência de Yildiz, com lesão no pé, pelos próximos dois meses, deixou o dia com gosto amargo.
Gols e assistências: Kamara (Ekkelenkamp); Douvikas Tops: Kamara (Udinese) e Milla (Como) Flops: Bayo (Udinese) e Yan Couto (Como)
Udinese e Como fizeram um jogo dividido em dois tempos bastante distintos, e o empate em 1 a 1 acabou refletindo essa alternância: os friulanos foram melhores na primeira etapa, aproveitaram as dificuldades do adversário para construir o 1 a 0 e depois perderam força, enquanto o time de Cesc Fàbregas cresceu após o intervalo e passou a controlar a partida, embora tenha encontrado pouca incisividade nos seus pontas. O treinador espanhol ainda não ganhou dos bianconeri no Bluenergy Stadium e, como subterfúgio, deixou o campo falando que a rival era “uma equipe de Premier League” e que poucos times a venceriam em seus domínios.
Desfalcada de Davis e com uma defesa renovada, contando com Palma e Abankwah, que passaram 2025-26 emprestados, a Udinese começou mais perigosa ao explorar a vulnerabilidade do Como quando o time visitante adiantava muito suas linhas. Aos 15 minutos, Vojvoda bateu de direita e tirou tinta da trave direita de Butez. Aos 28, a pressão resultou no gol: Paz perdeu a bola na intermediária ofensiva, Ekkelenkamp encontrou Kamara pela esquerda, o estreante Yan Couto chegou atrasado e Ramón saiu para tentar a cobertura, mas o marfinense ficou livre diante do goleiro e marcou com um toque por cobertura. O Como, lento e pouco fluido na troca de passes curtos que normalmente permite criar superioridade e achar espaços no ataque, só conseguiu ameaçar de forma mais consistente no fim do primeiro tempo, em uma bola parada. Douvikas cabeceou forte e central após escanteio, obrigando Okoye a fazer uma defesa plástica.
Fàbregas corrigiu a equipe no intervalo, lançando Da Cunha, que surpreendentemente havia começado no banco, no lugar do pouco reativo Perrone e Diao no de Baturina, que fora escalado na ponta direita. Logo o time passou a jogar melhor e, aos 53 minutos, Douvikas empatou após escanteio: Chalobah ganhou pelo alto, Okoye rebateu e o grego aproveitou a sobra na pequena área para marcar. A Udinese sentiu a parte física e praticamente entregou o controle da partida ao adversário, que ganhou ainda mais qualidade com a entrada de Liberali no lugar de um apagado Rodríguez – que, tal qual Baturina, atuou no flanco oposto. O jovem quase completou a virada aos 75, mas seu chute raspou o segundo poste. A equipe de Kosta Runjaic, que havia explorado bem as transições na primeira etapa, encontrou uma oportunidade enorme no fim: na pequena área, o desmarcado Bayo recebeu cruzamento rasteiro de Zaniolo, mas mandou por cima. O Como respondeu no apagar das luzes, quando o estreante Milla cobrou escanteio com precisão e Ramón apareceu para cabecear, mas a bola acertou a trave.
Sempre importante, Rabiot deixou sua marca na vitória do Milan (Getty)
Gol e assistência: Frattesi (Dia) Tops: Frattesi e Mandas (Lazio) Flops: Dovbyk e El Azzouzi (Bologna)
O Bologna começou a temporada deixando uma impressão bastante pobre, sobretudo pela dificuldade de criar perigo real e pela falta de lucidez nos momentos em que teve o controle da partida. A Lazio, por outro lado, soube permanecer competitiva mesmo quando esteve em desvantagem no jogo e encontrou a diferença justamente quando o confronto parecia caminhar para outro empate sem gols. A entrada de Frattesi foi o ponto de virada: o meio-campista precisou de apenas cinco minutos para marcar e, já no fim, ainda salvou um gol praticamente certo sobre a linha. O 1 a 0 talvez não traduza todo o volume de oportunidades dos rossoblù, que merecia ter encontrado o empate, mas expõe a diferença de eficiência e, principalmente, de lucidez entre as equipes. E olha que os romanos já vinham em crise, por conta da eliminação na Coppa Italia para o Mantova, da segundona, com derrota em pleno Olímpico.
A Lazio começou melhor, ocupando a intermediária do Bologna e criando suas primeiras oportunidades com Zaccagni, Pedraza e Cancellieri, mas o time romano não conseguiu transformar esse domínio inicial em gol. Depois dos primeiros 20 minutos, o Bologna avançou suas linhas e passou a controlar o jogo, porém sua superioridade também não se converteu em produção ofensiva suficientemente consistente. Zortea finalizou para fora, Odgaard tentou de calcanhar e Mandas ainda precisou trabalhar em um cabeceio perigoso de Helland. Foi uma etapa de equilíbrio no placar e de alternância no controle, mas também de pouca qualidade nos últimos metros: as duas equipes tinham uma ideia clara de futebol, porém encontravam dificuldades para executá-la quando se aproximavam da área.
O Bologna voltou melhor depois do intervalo e teve boa oportunidade logo aos 48, quando Odgaard cabeceou e obrigou Mandas a fazer uma grande defesa. A equipe da casa mantinha a iniciativa, mas a partida mudou de natureza quando Frattesi entrou em campo. O italiano substituiu Dele-Bashiru depois de o nigeriano se machucar e, cinco minutos depois, apareceu na área para decidir o confronto: após uma cobrança lateral de Floriani Mussolini, o meia tabelou com Dia e venceu Skorupski. Mais do que simplesmente marcar o gol, o ex-jogador da Inter mudou o a partida, oferecendo à Lazio a chegada à área que faltava para transformar uma disputa equilibrada em vantagem concreta. O time da casa tentou reagir e chegou a pressionar intensamente, mas sua dificuldade para transformar esse volume em gol srguiu evidente.
Mandas foi decisivo para sustentar a vantagem. Primeiro, desviou uma cobrança de falta de Bernardeschi e contou com a ajuda da trave no mesmo lance; depois, fechou o ângulo de Rowe em uma defesa corajosa. Entre as duas intervenções, Frattesi apareceu novamente, desta vez para impedir sobre a linha que Helland mandasse para o gol uma oportunidade clara. O Bologna terminou cercando a área da Lazio, mas a pressão continuou marcada pela mesma falta de clareza que havia aparecido ao longo da partida. Ainda houve uma última chance nos acréscimos, mas Dovbyk, opaco desde que substiuiu Piccoli após o gol celeste, não conseguiu aproveitá-la. A Lazio saiu do Renato Dall’Ara com uma vitória que poucos esperavam antes do jogo, pelo contexto do início de trabalho de Gennaro Gattuso. Já o time de Domenico Tedesco embora tenha criado o suficiente para justificar um empate, começou a temporada com uma atuação muito aquém do que se poderia esperar, especialmente pela pobreza de sua produção e pelos muitos momentos de desorganização e pouca lucidez. Será que já tem gente com saudade de Vincenzo Italiano na Emília-Romanha?
Gol e assistência: Raspadori (Gaetano) e Krstovic (Carnesecchi); Odenthal Tops: Krstovic e Gaetano (Atalanta) Flops: Macchioni e Adzic (Sassuolo)
O jogo teve equilíbrio suficiente para terminar com resultado apertado, mas a Atalanta foi mais capaz de aproveitar os momentos decisivos. A equipe de Maurizio Sarri começou melhor e abriu o placar cedo, mas o Sassuolo de Alberto Aquilani mostrou qualidade para escapar da pressão, explorar os espaços entre as linhas e criar tantas situações perigosas quanto o adversário. Depois do empate, porém, um erro defensivo transformou uma chutão em assistência para Krstovic, que não desperdiçou. Apesar da derrota, o time visitante apresentou argumentos interessantes para uma equipe que inicia um novo trabalho; já os ganhadores não impressionaram tanto. Ironias da vida.
Sarri recuperou Scalvini para formar a dupla de zaga com Kossounou, colocou Zappacosta no lugar de Bellanova e Pasalic como meia de movimentação, enquanto Aquilani – sem Pinamonti, que negocia com a Lazio – escalou de cara os jovens Macchioni, Cinquegrano, Bakola e Adzic. A Atalanta começou tentando assumir o controle e abriu o placar aos 6 minutos: Gaetano recuperou a bola na intermediária, acionou Raspadori pela esquerda e, com Cinquegrano chegando atrasado, o atacante acertou um violento chute de esquerda que tocou no travessão antes de entrar. A vantagem, porém, não transformou a partida em domínio absoluto. O Sassuolo encontrou maneiras de escapar da pressão, sobretudo através da movimentação entre as linhas, e passou a criar dificuldades para a estrutura dos mandantes.Laurienté apareceu duas vezes, obrigando Carnesecchi a trabalhar, enquanto a Dea também ameaçou com Zappacosta.
O equilíbrio permaneceu no segundo tempo, e o Sassuolo conseguiu finalmente transformar sua presença ofensiva em gol aos 55 minutos. Kossounou errou ao afastar um lateral e acabou oferecendo a bola a Odenthal, que venceu Carnesecchi. Sarri respondeu imediatamente com as entradas de De Ketelaere, Krstovic e Samardzic, e o Sassuolo quase virou pouco depois, quando Laurienté mandou por cima a partir de arremate de dentro da área. Apesar da chance, foi a Atalanta que voltou a marcar, em um lance que também nasceu de um erro do adversário. O goleiro nerazzurro tentou a ligação direta, Macchioni não conseguiu afastar e acabou efetuando um passe para Krstovic, que ficou frente a frente com Muric e não perdoou. Na fase final do jogo, Aquilani testou uma espécie de 4-4-2 que virava 4-2-4 ao sacar Matic e lançar Domínguez, mas a Dea segurou o placar.
Importante nas duas fases: Bremer voltou a ser decisivo ao marcar gol solitário da Juventus na vitória sobre o Frosinone (Getty)
Gol e assistência: Romano (Adopo) Tops: Romano e Rodríguez (Cagliari) Flops: Elphege e Kouda (Parma)
O Cagliari saiu do Ennio Tardini com uma vitória que parecia cada vez menos provável à medida que a partida avançava, mas que foi construída pela via da insistência. O jogo caminhava para um empate sem gols depois de um primeiro tempo em que o Parma comandou as ações e de uma segunda etapa na qual os donos da casa perderam intensidade, permitindo que os visitantes ganhassem confiança. Aos 79 minutos, Romano, meio-campista de 2006 formado na Roma e contratado pelos sardos por empréstimo, decidiu o confronto com um grande chute de esquerda de fora da área. Os três pontos conquistados no confronto direto pela permanência podem ser vitais para os isolani.
O Parma de Carlos Cuesta começou melhor e assumiu o controle das ações, com Bernabé deslocado para a direita do trio ofensivo e Konaté atuando à frente da defesa. Do outro lado, Fabio Pisacane colocou Fazzini e Maldini atrás de Mendy e devolveu Adopo à função de mezz’ala, enquanto Mina começou no banco e Deiola ocupou o centro da defesa. Os donos da casa chegaram com cabeceios de Delprato e Ndiaye, ambos para fora, e Caprile nem precisou fazer defesas importantes. O Cagliari teve sua melhor chance aos 15 minutos, quando encontrou uma finalização frontal que foi para fora, e voltou a ameaçar nos instantes finais: Troilo desviou um chute de Mendy e, aos 46, Deiola cabeceou para fora.
O Cagliari voltou mais corajoso após o intervalo e passou a criar as melhores oportunidades. Winks obrigou Corvi a defender um chute fraco logo no início, Valeri cobrou uma falta forte, mas central, e uma boa combinação entre Winks, Maldini e Fazzini terminou com o ex-jogador da Fiorentina acertando a trave após um desvio da defesa do Parma. Romano também começou a aparecer mais no ataque e fez Corvi trabalhar em outra chegada à área. As substituições dos dois lados alteraram pouco o cenário: Cuesta lançou Almqvist, Kouda e Diallo para tentar recuperar intensidade, enquanto Pisacane colocou Zappa, Felici e Borrelli, mas o Parma havia caído bastante de rendimento. Aos 79 minutos, depois de uma sequência de disputas, a bola chegou a Romano, que encontrou espaço para disparar um chute de esquerda que Corvi não conseguiu alcançar. O golaço, observado atentamente por Roberto Mancini, técnico da seleção italiana, colocou os mandantes em vantagem. O Parma ainda tentou um último ataque, mas Elphege cabeceou por cima nos acréscimos. Enquanto os isolani deixaram a Emília-Romanha satisfeitos por uma vitória importante, os gialloblù começaram a temporada sentindo o peso das saídas de Suzuki, Pellegrino e Circati.
Gols e assistências: Gorter (Coulibaly) e Tiago Gabriel (Danilo Veiga) Tops: Falcone e Tiago Gabriel (Lecce) Flops: Schingtienne e Bella-Kotchap (Venezia)
Num confronto direto entre dois times que devem passar a temporada lutando pela permanência, o Lecce mostrou mais maturidade e eficiência para sair do Pier Luigi Penzo com uma vitória que pode pesar muito nas contas do fim da temporada. O time treinado por Eusebio Di Francesco, ex-Venezia, começou a partida em dificuldades, enquanto a equipe mandante controlou boa parte do primeiro tempo e criou as melhores oportunidades. Os donos da casa chegaram a marcar com Correia, mas o gol foi anulado pelo VAR por toque de mão. E não seria o único – mais tarde, Basic também anotou, em lance invalidado por impedimento de Adams.
Além de azar, o Venezia ainda parou no muro erguido pelo ótimo Falcone. Na etapa inicial, o goleiro começou parando Yeboah, cara a cara. Busio ampliou a carga com uma finalização perigosa, enquanto o Lecce pouco produzia no ataque e tinha dificuldade para fazer a bola chegar a Geubbels. Mesmo assim, os visitantes quase abriram o placar antes do intervalo, quando Coulibaly acertou a trave após escanteio. O jogo mudou logo no início da segunda etapa. Após uma falha da defesa arancioneroverde, o malinês encontrou Gorter, que marcou seu primeiro gol na Serie A. A vantagem abalou os donos da casa, que perderam parte da força ofensiva mostrada no primeiro tempo.
O Lecce passou a encontrar mais espaços, embora o Venezia ainda tentasse reagir. Aos 80 minutos, Tiago Gabriel ampliou de cabeça, ganhando de Bella-Kotchap pelo alto. Depois do segundo gol, Stulic ainda desperdiçou duas oportunidades para fazer o terceiro. E, claro, Falcone voltou a ser importante para preservar a vantagem, especialmente ao defender uma finalização de Haps no fim da peleja.
Falcone (Lecce); Tiago Gabriel (Lecce), Bremer (Juventus), Gaspar (Lecce); Diouf (Inter), Frattesi (Lazio), Rabiot (Milan), Cissé (Milan); Dybala (Roma); Esposito (Inter), Malen (Roma). Técnico: Gian Piero Gasperini (Roma).







































