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·04 de fevereiro de 2026
O futebol argentino está pronto para celebrar a volta de Lionel Messi?

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Messi de volta ao Newells para encerrar a carreira? Isso pode sim acontecer em 2027... Mas o gênio argentino teria de se preparar para um cenário bem diferente do que se habituou na carreira. Entre problemas de estrutura, violência, críticas à AFA e discussão acalorada sobre modelos das SAF's, Messi teria de se adaptar à rotina caótica do futebol argentino, bem distante da pacata experiência nos EUA.
Um retorno do ídolo geracional ao clube que o recebeu antes do Barcelona, por agora, não passa de uma vontade de diretores. Mas há a possibilidade que Messi pendure as chuteiras jogando no Campeonato Argentino. A realidade, porém, é que o país não parece pronto para ter o craque novamente.
Um eventual retorno de Messi para o primeiro semestre de 2027 passou a ser debatido recentemente. Juan Manuel Medina, vice-presidente do Newells, revelou a ideia de ter o grande astro no clube que o impulsionou ainda nas categorias de base, mas não há, por agora, um projeto concreto.
"Estamos trabalhando para que Messi jogue no Newell's no primeiro semestre de 2027, mas por agora não há mais do que isso. Tudo depende do que podemos oferecer em matéria de infraestrutura e de um sistema esportivo competitivo", disse o cartola ao portal TN.
Para o camisa 10 da seleção voltar a jogar em seu país natal, uma série de transformações são necessárias. O mesmo Juan diz ser "um projeto da cidade de Rosario, da província e do futebol argentino, que vai além do Newell's", por isso requer tempo e planejamento.
E não só. Rosário é uma cidade portuária distante, a 300km de Buenos Aires, e que sofre com questões sensíveis, como o tráfico de drogas e problemas na segurança pública. Esses entraves, inclusive, fizeram Di María não retornar ao país em 2024, depois de uma temporada no Benfica. O retorno aconteceu no ano seguinte.
Além da questão de segurança, Messi defender o Newells requer uma transformação completa esportiva no país. Isso porque, com o retorno de uma imagem tão simbólica e poderosa, a mídia mundial se voltará à Argentina, e a situação desportiva atual é delicada.
O futebol argentino passa por um momento de transição. Aos poucos, equipes como Boca Juniors, River Plate e Estudiantes vão desembolsando mais recursos financeiros para investirem em seus elencos e quebrarem o monopólio brasileiro na Libertadores. Uma situação que incomoda o orgulhoso futebol argentino.
A ideia de transformar os clubes em empresas é debatida na Argentina, mas parece distante, por agora. O governo de Javier Milei é favorável à transição para as SAF's, mas a AFA se opõe a ideia e não deseja que as equipes se transformem em sociedades anônimas. A lei, atualmente, não permite que os clubes de futebol existam como clube-empresa.
Quem foge à regra são clubes como Estudiantes e Talleres, que tentam driblar as regras enquanto defendem mudanças. A realidade, porém, é que a crise é arrastada há muitos anos e piora gradativamente. O futebol é um espelho da crise escancarada no país.
Por conta das denúncias de apropriação indébita e lavagem de dinheiro à Chiqui Tapia, presidente da AFA, a participação da Argentina na Copa chegou até a ser ameaçada. Um desvio de 7,5 bilhões de pesos (R$ 28,5 milhões) é investigado e a possibilidade, remota, de uma intervenção da Fifa chegou a ser discutida.
Em novembro de 2025, a crise desportiva tomou rumos maiores. A segunda partida da semifinal da fase de acesso da Segunda Divisão Argentina, entre Deportivo Morón e Deportivo Madryn, terminou em briga generalizada, com a torcida do Morón acusando a arbitragem de direcionamento de resultados, alegando que os dirigentes do time adversário são amigos de cartolas da AFA.
Com isso, a AFA foi alvo de duras críticas por corrupção, favorecimento em jogos e centralização do poder. Muros com grafites dos campeões da Copa do Mundo de 2022 foram pichados por torcedores, em protestos contra a organização que comanda o futebol no país. Era como se o Mundial tivesse mascarado os problemas da AFA.
Tudo ainda ficou pior com a decisão de coroar o Rosario Central como "Campeão da Liga 2025", alguns dias depois. Com o Platense campeão do Apertura e o Clausura em andamento, a AFA coroou a equipe de Di María, maior pontuadora na soma geral naquela altura, como campeã geral do Campeonato Argentino, o que pegou todos de surpresa no país e rendeu ainda mais críticas para Tapia.
A situação ficou evidente em 23 de novembro de 2025, nas oitavas de finais da Clausura. O Estudiantes foi até Rosario para enfrentar os Canallas e foi obrigado pela AFA a formar um corredor para parabenizar os campeões. A equipe de La Plata, porém, realizou a homenagem de costas e em silêncio. Em resposta, a AFA abriu um processo disciplinar, suspendeu por dois jogos os jogadores envolvidos e aplicou a Verón, presidente do clube, uma suspensão de seis meses.
"Vamos estar atentos porque geralmente essas coisas não terminam bem. Pode acabar em um rebaixamento, arbitragens ruins, isso é algo que acontece e estamos acostumados", disse o presidente e ex-jogador, em resposta.
Tudo isso não é novidade no país. As denúncias cercam o comando do futebol argentino há anos. A gestão de Julio Grondona, antecessor de Tapia e presidente mais longevo da história da associação, se estendeu de 1979 até 2014, quando o cartola faleceu. O país foi campeão mundial nesse período (1986), mas as acusações de manipulação política, favorecimento direto ao seu clube (Arsenal de Sarandí) e, claro, corrupção foram muito presentes.
No fim das contas, o futebol argentino expõe sua realidade caótica, marcada por uma desorganização significativa que se arrasta desde o século passado. Seria esse o cenário que Lionel Messi encontraria em sua volta ao futebol argentino.








































