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·31 de agosto de 2026

SAFIEL responde diretoria do Corinthians e aceita oferta de Osmar Stabile; saiba detalhes

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  1. Por Henrique Vigliotti e Fabio Luigi / Redação da Central do Timão

Nesta segunda-feira (30), a SAFIEL, grupo que propõe a transformação do Corinthians em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) através de uma maior participação dos torcedores no futuro da instituição, respondeu, por meio de uma carta, que aceita a oferta feita pelo presidente Osmar Stabile. Nela, está incluída a quitação da dívida do clube junto à Caixa Econômica Federal pela construção da Neo Química Arena.

A reportagem da Central do Timão apurou que a carta foi enviada ao presidente Osmar Stabile, Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo (CD) e Miguel Marques e Silva, presidente do Conselho de Orientação (CORI). O Conselho Fiscal, presidido por Haroldo Dantas, além dos departamentos jurídicos e financeiros também tiveram acesso ao e-mail.


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Foto: Reprodução/Instagram

No e-mail, a SAFIEL pede uma reunião de caráter urgente com a diretoria do Corinthians ainda nesta segunda-feira. O documento também solicita que que o clube informe horário, data e composição dos representantes do Alvinegro. Após o grupo responder ao Alvinegro se comprometendo a elaborar uma proposta pela quitação do estádio depois de entrevista de Osmar Stabile à ESPN Brasil, o clube do Parque São Jorge enviou uma lista de perguntas ao grupo de idealizadores da proposta de SAF.

No encontro em questão, a SAFIEL ainda sugere a assinatura de um contrato de confidencialidade (NDA) e a instalação de data room, que proporciona a disponibilização de documentos e ofertas com transparência aos sócios, conselheiros e torcedores. O grupo também se compromete a responder eventuais novas dúvidas que possam surgir ao longo do encontro e posteriormente.

Na mensagem enviada, a SAFIEL afirma que espera uma autorização para que possa começar a iniciar as tratativas com a Caixa Econômica Federal para conversar sobre o pagamento, assunção ou reestruturação do débito referente à construção da Arena. Em entrevista na última sexta-feira, Osmar Stabile disse que assinaria uma oferta vinculante caso o grupo se comprometesse a pagar tal pendência com o banco estatal.

A SAFIEL diz que parte da receita bloqueada pela garantia do financiamento da Neo Química Arena seria liberada por até 12 meses depois da assinatura.

Reunião na última segunda-feira (26)

O encontro, inicialmente, não tinha como objetivo a assinatura da Proposta Não Vinculante (NBO), mas o esclarecimento de questões levantadas pelo Corinthians, como soube a Central do Timão. À imprensa após o encontro, que durou cinco horas, da semana passada, Eduardo Salusse e Carlos Teixeira afirmaram que a reunião serviu para “uma lavagem de roupa suja”.

Proposta é chamada de não vinculante, mas possui cláusula obrigatória

A natureza jurídica da NBO é outro ponto central da manifestação. O Corinthians destaca que, apesar de a SAFiel classificar a proposta como “não vinculante”, a Cláusula 9 é apresentada no próprio documento como contendo “Obrigações Vinculantes”.

A atenção do clube está especialmente voltada ao item 9.4, que determina que cada parte deverá arcar com seus próprios custos, “salvo acordo escrito em contrário”.

Para o Corinthians, a previsão precisa ser esclarecida porque pode produzir obrigações financeiras antes da conclusão de uma eventual operação. O clube quer saber quais situações estariam abrangidas pela exceção prevista na cláusula e quais seriam as consequências práticas de sua assinatura.

O documento ainda aponta uma aparente contradição entre a classificação da NBO como “não vinculante”, prevista nas Cláusulas 1 e 12, e a eficácia jurídica imediata atribuída à Cláusula 9.

Por isso, o Corinthians solicita que a SAFiel esclareça se a proposta possui, na prática, uma natureza híbrida, com determinadas disposições obrigatórias mesmo antes da conclusão de qualquer negócio.

Estrutura da operação prevê captação entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões – Clique aqui para conferir detalhes da proposta na íntegra

A proposta prevê a constituição da SAFiel como uma sociedade anônima responsável por absorver integralmente o chamado “Perímetro do Futebol” do Corinthians. Entre os ativos que seriam transferidos estão direitos econômicos e federativos de atletas, contratos de patrocínio, licenciamento, transmissão, infraestrutura esportiva e administrativa, marcas, bancos de dados e passivos vinculados à atividade futebolística.

O modelo apresentado estabelece uma meta inicial de captação de R$ 2,5 bilhões, com possibilidade de ampliação para até R$ 3 bilhões em caso de excesso de demanda dos investidores.

Segundo o documento, os recursos captados serão destinados prioritariamente à reestruturação financeira do clube, incluindo o pagamento ou renegociação das dívidas do futebol, investimentos em elenco profissional, categorias de base, infraestrutura, tecnologia e programas de governança e compliance. A proposta prevê ainda aporte inicial de até R$ 50 milhões para o clube social.

Em contrapartida à transferência do futebol para a nova sociedade, o Corinthians receberia participação acionária na SAF, royalties pela utilização da marca e da identidade institucional – estimados em aproximadamente R$ 600 milhões ao longo de dez anos -, além de um fee, espécie de taxa de remuneração pela parceria e pela estruturação da operação, correspondente a 2% do valor captado.

O projeto também estabelece um modelo de participação popular. As ações ordinárias com direito a voto seriam destinadas exclusivamente a torcedores corinthianos, com investimento mínimo previsto de R$ 250. Cada CPF teria limite máximo de participação de 2% do capital votante, mecanismo que busca impedir a formação de grupos controladores e garantir a pulverização acionária. Investidores institucionais poderiam ingressar apenas por meio de ações preferenciais sem direito a voto, caso fosse necessário complementar a captação.

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