Central do Timão
·14 de agosto de 2026
Nike cobra explicações do Corinthians por patrocínio da Fatal Fans e acordo entra em nova discussão interna

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·14 de agosto de 2026

A parceria entre Corinthians e Fatal Fans ganhou um novo capítulo fora das quatro linhas. A Nike, fornecedora de material esportivo do clube, encaminhou uma notificação à diretoria alvinegra para pedir esclarecimentos sobre o contrato firmado com a plataforma e, principalmente, sobre a presença da marca nos uniformes das equipes do Timão. As informações foram divulgadas pelo Sport Insider e pelo UOL.
O questionamento foi formalizado por e-mail ao Corinthians. De acordo com as apurações, a Nike busca entender a natureza dos serviços oferecidos pela Fatal Fans, plataforma que permite a comercialização de diferentes tipos de conteúdo e reúne, em sua maioria, materiais de cunho sexual destinados ao público adulto.

Foto: Divulgação / Corinthians
A parceria foi anunciada pelo Corinthians em 4 de julho. O acordo prevê R$ 22 milhões até o final de 2026 e contempla propriedades comerciais nas equipes de futebol masculino profissional, futsal e basquete. No futebol feminino, o espaço correspondente no uniforme é utilizado para divulgar o Disque 180, Central de Atendimento à Mulher.
Segundo o Sport Insider, a exposição da marca da Fatal Fans no calção do uniforme teria provocado desconforto na fornecedora esportiva. O Corinthians, por outro lado, afirmou ao veículo que o departamento de marketing consultou patrocinadores e demais parceiros antes de concluir a negociação e que, naquele momento, não houve oposição ao acordo.
Contrato da Nike prevê possibilidade de veto
Um dos pontos centrais da discussão está no próprio contrato entre Nike e Corinthians. O documento estabelece restrições para a associação do clube com empresas ligadas a determinados segmentos.
Entre as condições previstas, está a exigência de que empresas parceiras não estejam direta ou indiretamente envolvidas com comercialização, produção, distribuição ou venda de tabaco, bebidas alcoólicas destiladas ou outros produtos considerados nocivos à saúde.
Além dessas categorias, a cláusula abre espaço para uma interpretação mais ampla ao estabelecer que uma empresa também poderá ser considerada incompatível com a marca Nike, desde que essa avaliação seja realizada de boa-fé.
O trecho do contrato ao qual as reportagens tiveram acesso diz:
“Que nenhuma das referidas empresas seja direta ou indiretamente envolvida na comercialização, produção, distribuição ou venda de tabaco ou de produtos relacionados, bebidas alcoólicas destiladas ou produtos de bebidas alcoólicas destiladas, ou qualquer outro produto nocivo à saúde das pessoas ou que a NIKE, de boa-fé, considere incompatível com a marca NIKE.”
De acordo com o UOL, ainda não há um entendimento definitivo internamente no Corinthians sobre a aplicação dessa cláusula ao caso da Fatal Fans. A diretoria deverá responder aos questionamentos enviados pela fornecedora.
Corinthians avalia caminhos para reduzir desgaste
Mesmo sem tratar o caso como uma crise neste momento, o clube estuda alternativas diante da repercussão provocada pelo patrocínio. Segundo o Sport Insider, uma das possibilidades analisadas nos bastidores seria diminuir o tamanho da exposição da Fatal Fans no calção. Outra alternativa seria deslocar parte das propriedades comerciais da empresa para espaços que não estejam diretamente ligados ao uniforme, entre eles o telão da Neo Química Arena.
A eventual mudança, no entanto, ainda está em fase de discussão. O Corinthians sustenta que realizou consultas antes de oficializar o contrato e está disposto a voltar a conversar com seus parceiros após a manifestação da Nike.
Fatal Fans explica funcionamento da plataforma
A Fatal Fans integra o Grupo Atlas, que também possui a Fatal Model entre seus negócios. Apesar da proximidade entre os nomes, as plataformas possuem propostas diferentes.
Em entrevista concedida anteriormente ao UOL, o diretor executivo Samuel Ongaratto afirmou que a Fatal Fans não determina previamente se o conteúdo negociado pelos usuários será adulto. Segundo o executivo, essa definição parte dos próprios criadores e consumidores cadastrados na plataforma.
“Quem define isso são os usuários. Tanto os que vendem, quanto os que compram. Porque lá pode ser comercializado qualquer conteúdo. E foi com as pessoas que estão lá hoje, os 30 mil criadores de conteúdo que a nossa plataforma conquistou em seis meses de vida, que nós fizemos o contrato com o Corinthians”, declarou.
Patrocínio também é alvo de investigação do Ministério Público
A manifestação da Nike aconteceu no mesmo período em que o acordo passou a ser analisado pelo Ministério Público de São Paulo. A Promotoria da Infância e da Juventude solicitou informações ao Corinthians e abriu uma investigação para avaliar se a publicidade da plataforma relacionada ao clube pode representar algum tipo de violação aos direitos de crianças e adolescentes.
A discussão também chegou ao elenco profissional. Conforme publicado pelo Sport Insider, lideranças do grupo procuraram o presidente Osmar Stabile para questionar a parceria. O mandatário teria citado a situação financeira do Corinthians ao conversar com os atletas e pedido compreensão em relação ao acordo comercial.
Diante dos diferentes questionamentos, o Corinthians terá agora de administrar a relação com a Nike, responder ao Ministério Público e avaliar se manterá o formato atual de exposição da Fatal Fans. Até o momento, não há informação oficial sobre rompimento do contrato ou retirada da marca dos uniformes.
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